sexta-feira, 24 de abril de 2009

Coluna Natanael 25-04-09

Gigante pela própria natureza...

A última edição internacional da revista americana Newsweek afirma que o Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única. Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela.
Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros, diz a revista. No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne.

Cooptar pelo mercado

Os mercados de vizinhança são tão antigos quanto a própria humanidade. No Gênesis já encontramos referências a mercados e mercadores. O nascedouro do povo de Israel se dá com a venda de José a mercadores midianitas. Vendia-se de tudo, inclusive escravos que tinham preço “tabelado” (vinte ciclos de prata que correspondiam ao valor pago por dois anos e meio de trabalho).
Acesso ao mercado é condição sine qua non para a paz, seja ela interna ou externa. Esse tem sido o grande mérito do governo Lula, aumentar o acesso ao mercado, inicialmente dos brasileiros através de programas de distribuição de renda e agora também no cenário regional através de acordos de cooperação.

No passado a ALCA hoje o fortalecimento da unidade latina

A eleição de Lula mais que um marco nacional também sepultou o adesismo demo-tucano a ALCA – Área de Livre Comércio das Américas. Do ponto de vista econômico os objetivos eram estabelecer um território econômico único nas Américas com livre circulação de bens, serviços e capitais, porém sem livre circulação de mão de obra, em especial a menos qualificada. Gradualmente, adotaria o dólar como moeda hemisférica, cuja emissão e circulação ficariam sob exclusivo controle norte-americano.

Moeda do Mercosul

No final do ano passado os presidentes do Brasil e da Argentina que já é o terceiro parceiro mais importante nos negócios brasileiros no exterior assinaram acordo para a troca do dólar para o real e peso nos negócios entre os dois países. Esse deve ser o primeiro passo para a criação de uma moeda do bloco do Mercosul. Em tempos de crise de crédito, especialmente em dólar, moedas locais são alternativas que não devem ser desprezadas.

Natanael Mücke - economista natanaelmucke@terra.com.br