No RS indicadores sociais não evoluem
Segundo estudo da Fundação de Economia e Estatística (FEE) que pesquisou 18 indicadores sociais nos municípios do Rio Grande do Sul, apenas 11 itens estão progredindo. Para a FEE, com o ritmo atual das ações públicas e privadas do Estado, as metas estabelecidas pelos Objetivos do Milênio (ODM) não serão alcançadas. O ODM é fruto de um tratado definido durante reunião da Cúpula do Milênio, realizada em Nova Iorque em 2000, quando líderes de 191 nações oficializaram um pacto para tornar o mundo mais solidário e mais justo até 2015.
Para a FEE indicadores como: taxa de crianças com baixo peso ao nascer; razão entre mulheres e homens no ensino superior; taxas de mortalidade infantil e materna e proporção de domicílios sem acesso à rede geral de esgoto ou pluvial, não deverão ser atingidos em 2015, segundo o retrospecto de ações entre os anos de 1990 a 2007. Acrescento que não há como atingir as metas sem uma nova racionalidade que supere a acumulação constante.
Crematística ou oikonomia?
“Se os deuses se preocupassem com a justiça, deles os romanos deveriam receber preceitos relativos ao bem viver, ao invés de tomarem de empréstimo leis a outros homens” Essas palavras de Santo Agostinho na parte primeira da sua obra A Cidade de Deus revelam que os deuses estavam mais preocupados com os sacrifícios do que com a vida dos adoradores. É claro que essa denuncia (exortação) além de sacra é de caráter sociológica (secular).
Para Santo Agostinho a virtude não é uma ordem de razão, hábito conforme a razão, como dizia Aristóteles, mas uma ordem do amor. Aristoteles condena a crematística e defende a oikonomia. Crematística é a arte de acumular riquezas, e a oikonomia é a arte de administrar uma casa/propriedade. Segundo Pixley “a crematística não tem sentido de limites ao crescimento”. E continua “Qualquer pessoa de mediana cultura hoje reconhecerá que a ciência econômica hoje é pura crematística”.
O engenheiro agrônomo e produtor Fernando Adauto Moreira, destaque do prêmio o Futuro da Terra deste ano, diz que “a seca é uma questão natural e que tem 70% de possibilidades de estar presente a cada ano”. Para vencer a barreira climática e manter o campo nativo, ele utiliza o método de diferimento, uma espécie de repouso programado. Trata-se da separação de uma área que é mantida fechada para que não sofra os reflexos do período crítico. O pousio da terra é prática comum entre os povos tribais e era muito utilizado no período que antecedeu a chamada “revolução verde”. “Conservai as tradições que vos foram ensinadas”, parece que essa recomendação Paulina nunca foi tão necessária.
Atualmente o economista Enrique Leff é um dos maiores expoentes do que ele chama de “racionalidade ambiental”, pensamento construído através de conhecimentos no plural e que supere a lógica do valor. Para ele a leis da física e da biologia, especialmente a entropia constitui o limite último do modelo de crescimento atual. Em meus estudos tenho enfatizado a necessidade de retomarmos algo como a prática dos sábados (semanal, anual, jubileu) como “válvula de escape” ao problema da acumulação constante e seus efeitos de insustentabilidade da vida econômica e social. É o apelo para uma outra racionalidade. E nisto a racionalidade teológica por enfatizar o amor tem muito a contribuir.
domingo, 13 de setembro de 2009
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