terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Exemplo com validade vencida
Natanael Mücke - Economista
Em abril de 2008 a estudante Josiane Brugnera Siqueira em sua dissertação com o título de “Estudo Comparado de duas as experiências locais de tratamento e disposição final do lixo urbano: os casos de Ijuí e Panambi RS”, assim resume a questão: “Enquanto em Panambi os encaminhamentos para a questão do lixo foram solucionados com ações empreendedoras propondo a coleta seletiva e a implementação da Usina de Reciclagem, como reação a uma notificação do Ministério Público já na década de oitenta, o município de Ijuí, ao contrário, vem até hoje propondo ações paliativas e protelatórias ao problema do lixo sem soluções efetivas para viabilizar os problemas de impacto ambiental.
A autora diz ainda que “nesse sentido Ijuí pode pautar-se nos encaminhamentos de Panambi o qual fez a diferença no tratamento do lixo urbano local.” Ela esclarece ainda que “o estudo foi conduzido por meio de revisão bibliográfica e documental, e em especial, pela observação direta e entrevistas com membros da administração pública e da sociedade local de ambas as comunidades. Os resultados mostram que o trato e postura, principalmente por parte do ente municipal, foi diferente em ambas as comunidades.”
Se em Ijuí, o trato e a postura podem ter sido o mesmo durante sucessivos governos, no caso: descaso. Há hoje, informações que dão conta que ao menos o prefeito reeleito Ballin, tem tratado o tema de maneira diferente. A solução que vem sendo gestada, com viés de tratamento regional, poderá ser realmente um avanço, considerando que reciclagem é viável somente em escala.
Todavia, acrescentaria ainda, que em Panambi, esse trato e postura foi diferente entre as diversas administrações. Digo isso, especialmente, porque a Usina de Reciclagem que foi por ocasião da ECO 92, premiada e reconhecida mundialmente, não impediu que os aterros sanitários fossem posteriormente três vezes transformados em lixões. Sendo a última, após a data da citada dissertação.
O que bem ilustra essa situação, sem dúvida são as manifestações dos ambientalistas, que frequentemente tem visitado o aterro em Panambi, mas também o fato, amplamente divulgado em 2010, dando conta que a situação do lixo urbano em Panambi era de tal descaso e omissão, que houve até detenção de algumas pessoas ligadas a administração, em operação conduzida pelo Ministério Público Estadual, com a participação da Delegacia Estadual de Proteção Ambiental.
Que fique bem claro que não há aqui nenhuma tentativa de diminuir o trabalho da autora, que talvez, jamais suporia que o município iria, em tão curto espaço de tempo, retroceder tanto. Nem tão pouco, ainda que me distanciando do diagnostico da autora sobre o trato ao longo da história, quero aqui concluir que a responsabilidade é de apenas alguns, ou de algumas administrações, por uma situação que é sim ruim. Nem poderia fazê-lo, em se tratando de um assunto no qual a maioria das pessoas não assume a sua responsabilidade individual, num problema coletivo.
Dito isto, registro que embora tenhamos em Panambi, sobretudo, um problema recorrente de destino final dos resíduos sólidos, merece, destaque o esforço continuado de mantermos a boa cultura da coleta seletiva. Sendo este sim, um exemplo a ser seguido.
Porém, no computo geral, acredito que esse exemplo seja ainda insuficiente, considerando os tristes períodos de lixões, para que essa cultura realmente faça da cidade um modelo a ser seguido. Infelizmente, assim como as licenças ambientais e outras, têm prazo de validade, o exemplo de Panambi também, com a então mudança de gestão, novamente expirou em menos de dois anos.
Assinar:
Postagens (Atom)