por Marco Aurélio Weissheimer
Chama a atenção a tíbia reação da governadora Yeda Crusius (PSDB), até a manhã desta sexta-feira, diante das graves acusações feitas pelo PSOL. Afinal de contas, ela foi acusada de ser integrante de uma quadrilha que estaria roubando o erário público. Simplesmente isso. Os acusadores não apresentaram provas, o que justificaria um enérgico e indignado pedido de reparação e de apresentação das mesmas. No episódio recente da campanha dos sindicatos de servidores contra o governo, Yeda anunciou rapidamente um processo contra os responsáveis. Agora, silencia. Esse silêncio pode ser entendido no contexto da dúvida instaurada acerca da existência das provas. Ou elas existem, ou não existem. É simples assim. Se não existem, os denunciantes são uns desvairados. Se existem, quem é acusado, pode pensar duas vezes antes de pedir a apresentação das mesmas. O pedido pode ser atendido.No final da noite de ontem, várias manifestações indicavam um clima de apreensão entre os aliados políticos mais experientes do atual governo. Embora o PSOL não tenha apresentado provas, as denúncias são de tal modo detalhadas – e ligadas com outros episódios relacionados ao escândalo do Detran – que assumem um ar de fio desencapado para os atuais ocupantes do Piratini. A misteriosa morte de Marcelo Cavalcante, que, aliás, precipitou a entrevista coletiva do PSOL, agrega um ingrediente explosivo a esse quadro. Além da proximidade com Yeda, Cavalcante era amigo de Lair Ferst que, segundo o PSOL, é autor das gravações (em áudio e vídeo) que mostrariam práticas não muito republicanas nos porões do “novo jeito de governar”. A situação da governadora é muito delicada. E seus aliados sabem disso.É sintomático que tenha sido o líder do PSDB na Câmara Federal, deputado José Aníbal (SP), a frequentar as páginas de Zero Hora hoje para defender Yeda e acusar o ministro da Justiça, Tarso Genro, de estar por trás do movimento do PSOL. “Tarso conspira contra Yeda”, destaca o jornal em sua matéria. É essa, então, a defesa do governo? “Se o Ministério Público Federal tem provas, em algum momento a PF investigou”, protestou José Aníbal. Ou seja, protestou contra uma suposta investigação e não contra o suposto resultado da mesma, repetindo uma lógica adotada várias vezes pela governadora Yeda Crusius contra a “famigerada Operação Rodin” (expressão usada pela mesma na carta enviada ao jornalista Paulo Sant’Ana). Reina grande aflição no ninho tucano. E uma dúvida central: o que sabe, afinal, o pessoal “do lado de lá”, para usar outra expressão cara a Yeda.
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